Vou começar fazendo um parentêses, procurando imagens da capa, deparei-me com diversos blogs de empreendedores citando o livro, foi muito curioso ver outras opiniões pois, para mim, o que marcou foi o orgulho com o que Akio fala de seus compatriotas e as comparações que fez de sua língua com o inglês e francês. Ele diz que em japonês é difícil haver discussões, que a língua é complicada demais e indireta para que se possa argumentar bem. Como iniciante nos estudos de japonês - eu me considero nível básico e comecei a estudar há cinco anos - penso que pode ser a falta do verbo ser/estar, os diversos graus de polidez e o fato ser uma sociedade fechada em seu grupo que busca o bem do seus.
Saindo do mérito linguístico, a vida de Akio Morita foi um pouco surreal, meio filme hollywoodiano, com maestros famosos frequentando sua casa, Ladi Di grávida na inauguração de fábrica da Sony no País de Gales, bate-papo animado com Deng Xiaoping.
Tirando a parte Caras que a gente adora, ele conta um pouquinho de seu desempenho na escola, que não foi muito bom, como teve de se esforçar para entrar na faculdade, como foi sua participação no exército japonês durante a Segunda Guerra Mundial, o fim da guerra e como foi a ocupação americana.
Durante os anos que se seguiram, sete até que os EUA ficaram mais enrolados combatendo os vermelhinhos, o Japão teve que se reerguer das cinzas literalmente, os diversos bombardeios e as duas bombas atômicas deixaram o país devastados, faltava tudo, comida, gasolina, habitações, foi muito interessante ler de um ponto-de-vista de quem esteve lá, pois apesar de vir de uma família abastada- Akio era herdeiro de uma empresa de sakê e misô- eles não escaparam da reforma agrária, tiveram que dar um "jeitinho" comprando equipamentos no mercado negro e gasolina dos tanques americanos.
Com o fim da ocupação surgiu o chamado milagre japonês, que de milagre não teve nada, foi uma junção de bons juros na poupança, sociedade pronta para consumir, mão-de-obra super especializada, mercado interno muito competitivo e um país querendo provar ao mundo que Made in Japan é uma coisa muito boa ( nos 1950 era sinal de produto de baixa qualidade, como é agora Made in China). Graças aos americanos os Zaibatsu, grande empresas familiares que dominavam o mercado antes da guerra, foram enfraquecidos e novas empresas puderam começar a concorrer.
Akio Morita conheceu durante a guerra o seu sócio nos negócios Masaru Ibuka, pessoa com visão de futuro e com muito conhecimento, os dois juntos tinham muita força de vontade e sentiam que fazer uma invenção de sucesso contribuiria também para o crescimento do país, e foi o que aconteceu, a Sony, assim como outras empresas de technologia de ponta japonesas colocaram o pequeno arquipélago "no mapa", esses empresários que se esforçaram por abrir o mercado para seus produtos fizeram mais que exportar produtos que adaptaram do ocidente, criaram um diálogo que não existia e como alcançaram isso deveria ser lição para outros países, principalmente os emergentes, e o Brasil está nessa.
O criador da Sony fala dos conflitos que teve com os advogados americanos e gasta umas boas linhas discutindo sobre como eles são prejudiciais para o sistema de lá, ainda bem que aqui não são (ainda ) tão nocivos, sempre atrás de uma brecha para conseguir sua comissão, eles têm sua parcela de culpa na crise de 2011 e Morita parecia já prever isso, apesar de ter concluído sua biografia na metade dos anos 80 e ter falecido em 1999. Outra coisa valiosa que ele previa é que a busca por lucro rápido, para satisfazer os acionistas, resultaria em falta de extrutura nas empresas, falta de criatividade e descontentamento entre os funcionários, principalmente diretoria.
Ele conta o caso de um gerente da filial americana que após um ano na empresa e desempenhando muito bem a sua função pediu demissão sem mais nem menos, e pior, quando se reencontraram em uma feira o "traidor" fez questão de cumprimentá-lo como se nada tivesse acontecido, e nada tinha mesmo, para o mercado americano não tem problema que o gerente/diretor fique na empresa, aprenda todos os segredos e então os leve para outra empresa, o que para o japonês é considerado traição. Eu achei isso muito interessante, venho de um ramo onde é ok mudar de emprego rapidamente pois essa pode ser uma oportunidade de aumentar o salário e também de trabalhar com clientes diferentes, mas faz sentido para uma empresa como a dele, onde os funcionários podem e devem fazer carreira e dar feedbacks constantes com sugestões, se eles se sentem desmotivados, são encorajados à mudar de posição dentro da empresa. Essa ideia de emprego para o resto da vida está tão distante.
Morita foi quem pensou e idealizou a coisa mais banal para nós hoje, o rádio individual, em 1979 lançou o Walkman, no começo meio desacreditado por seus próprios engenheiros, mas virou mania rapidamente, todo mundo quer poder ouvir suas músicas em qualquer lugar!
O conceito de pequeno, tão comum entre os eletrônicos japoneses é explicado por Morita pela ideia do Mottainai, algo como "não desperdice o que a natueza deu", por isso tentam diminuir o tamanho, usar menos recursos e produzir menos lixo, coisas que também precisamos aprender.
Este livro de mais de 300 páginas é que andou consumindo meu tempo de blogar, pode parecer um pouco repetitivo mas tem muita sabedoria no meio.
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sábado, 27 de abril de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
A Quem a Carapuça Possa Servir
Quando terminei de ler o livro Já Matei Por Menos da repórter Juliana Cunha, essa foi a frase que ficou em minha cabeça, porque em alguns momentos senti que ela escrevera o texto para mim. Então a carapuça serviu terrivelmente!
Primeiro sobre a obra, é uma coletânea de textos retirados do blog de mesmo nome que a autora mantém desde 2007 e com milhares de seguidores- ou seriam trinta? - onde ela escreve a sua opinião sobre os mais variados temas em um estilo que pode ser classificado como direto, sincero, mas que eu gosto de comparar com uma balinha azeda, você vê o título e espera, lá vem chumbo, mas acaba concordando, ou discordando, é azedinho, mas dá vontade da próxima, ou do próximo.
Ela veio de Salvador para São Paulo e fala bastante dessas duas cidades em seus textos/post, em um, intitulado Cuspindo no Prato, ela conta da visão dos paulistanos, que a cercam, sobre o mundo. Que paulistanos a parabenizam por quase não ter sotaque, eu achei engraçado, porque o que é não ter sotaque? Eu tenho um carregadíssimo de imigrantes italianos-feat-nisseis da saúde, que não acreditam que tenha brancos na Bahia, bom acho que o pessoal alto nível precisa estudar um pouquinho mais de história, sobre os estados do nordeste, bom nem do centro-oeste eu sei, se isso justifica, e sobre a USP ser a melhor de São Paulo, bom, eu não sei, considero a melhor do Brasil. Todo este parágrafo para justificar, a carapuça serviu.
Outro texto que adoro é um que fala dos prazeres de gorda e os prazeres de magra, ri muito este fim de semana quando fui à C&A provar o trench coat cereja da Isabella Giobbi, ficou parecendo uma capa de bujão de gás, isso quer dizer, não tenho prazeres de magra " o prazer de entrar num provador sem chorar por culpa daquela luz cruel dos provadores".
A Juliana Cunha é uma fofinha (não me odeie por isso), conheci graças ao gmail, antes ainda dela se mudar para minha terrinha, nos vimos pessoalmente poucas vezes e ela está me devendo uma pizza, que não deve sair, coisa de paulistano, acho que ela já está aprendendo o esquema!
Você pode comprar a versão impressa do livro na loja da Lote42: http://lote42.tanlup.com/ autografado pela autora.
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| Capa bafônica de Laurindo Feliciano |
Primeiro sobre a obra, é uma coletânea de textos retirados do blog de mesmo nome que a autora mantém desde 2007 e com milhares de seguidores- ou seriam trinta? - onde ela escreve a sua opinião sobre os mais variados temas em um estilo que pode ser classificado como direto, sincero, mas que eu gosto de comparar com uma balinha azeda, você vê o título e espera, lá vem chumbo, mas acaba concordando, ou discordando, é azedinho, mas dá vontade da próxima, ou do próximo.
Ela veio de Salvador para São Paulo e fala bastante dessas duas cidades em seus textos/post, em um, intitulado Cuspindo no Prato, ela conta da visão dos paulistanos, que a cercam, sobre o mundo. Que paulistanos a parabenizam por quase não ter sotaque, eu achei engraçado, porque o que é não ter sotaque? Eu tenho um carregadíssimo de imigrantes italianos-feat-nisseis da saúde, que não acreditam que tenha brancos na Bahia, bom acho que o pessoal alto nível precisa estudar um pouquinho mais de história, sobre os estados do nordeste, bom nem do centro-oeste eu sei, se isso justifica, e sobre a USP ser a melhor de São Paulo, bom, eu não sei, considero a melhor do Brasil. Todo este parágrafo para justificar, a carapuça serviu.
Outro texto que adoro é um que fala dos prazeres de gorda e os prazeres de magra, ri muito este fim de semana quando fui à C&A provar o trench coat cereja da Isabella Giobbi, ficou parecendo uma capa de bujão de gás, isso quer dizer, não tenho prazeres de magra " o prazer de entrar num provador sem chorar por culpa daquela luz cruel dos provadores".
A Juliana Cunha é uma fofinha (não me odeie por isso), conheci graças ao gmail, antes ainda dela se mudar para minha terrinha, nos vimos pessoalmente poucas vezes e ela está me devendo uma pizza, que não deve sair, coisa de paulistano, acho que ela já está aprendendo o esquema!
Você pode comprar a versão impressa do livro na loja da Lote42: http://lote42.tanlup.com/ autografado pela autora.
| Não está no livro mas é um trecho que adoro: http://julianacunha.com/blog/2010/06/15/seda-strikes-again/ |
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| Com o meu exemplar lindo |
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sexta-feira, 23 de março de 2012
Leitura obrigatória
Mês levei uns gringos ao museu do Ipiranga, aqui em São Paulo e fomos até onde está o corpo de D. Leopoldina e D. Pedro, comentei em um post até, e essa visita me deixou curiosa para saber um pouco mais sobre esta parte da história do Brasil.
O que e como aconteceu explica muito o porquê somos assim. Foi quando um site de compras me mandou a promoção, 1808 e 1822 por cinquenta reais e sem frete. Assim descobri estes livros incríveis!
Como o autor diz, o livro 1808 é resultado de uma investigação jornalística, por isso tem muitos dados, muitos números e nomes que acabamos por pular ao ler, mas tem também uma certa análise sociológica dos fatos, o que me prendeu na leitura.
Eu li no ônibus exclamando algumas partes - sim falando sozinha mesmo- pois são absurdos que a gente vê até hoje. Como:
Quando a corte real mudou para o Rio de Janeiro, criaram a ucharia real, que fazia as compras para a corte, como eram muitas pessoas a serem alimentadas (chupins desde aquela época), todas as galinhas produzidas na região deveriam ser vendidas para a ucharia. Pois não é que desviavam parte desses suprimentos e vendiam para a população por preço maior? Serviam como intermediários praticando o preço que quisessem! Malditos!
E a questão racial absurda que vivemos até hoje, 120 anos depois da abolição, tem suas origens naquela época, o escravo, mesmo depois de livre, não tinha direito à nada, sem sustento recorria à marginalidade. É o que dizem, dê um trabalho digno ao homem e os problemas, se não acabam, diminuem.
Fala sobre censura no Brasil, que o nosso povo era porco, mal vestido - para os padrões europeus, claro- e que como sempre foi uma colônia extrativista, quem vinha para cá, queria apenas explorar e não cuidar, talvez isso explique o fato do povo não respeitar a natureza, desperdiçar fontes naturais e poluir. O brasileiro se sente como de passagem, não se sente o dono da terra, porque quem é dono, cuida!
Eu passei a ver meu país um pouco diferente, esse livro me deu vontade de estudar mais sobre isso, seria um bom material de estudo nas escolas. Faltam ainda algumas páginas para eu terminar, então pode ser que eu fale mais sobre ele!
(ah, eu terminei A Sombra do Vento também, amei, vontade de conhecer Barcelona, mas o problema com os espanhois me dá preguiça.)
O que e como aconteceu explica muito o porquê somos assim. Foi quando um site de compras me mandou a promoção, 1808 e 1822 por cinquenta reais e sem frete. Assim descobri estes livros incríveis!
Como o autor diz, o livro 1808 é resultado de uma investigação jornalística, por isso tem muitos dados, muitos números e nomes que acabamos por pular ao ler, mas tem também uma certa análise sociológica dos fatos, o que me prendeu na leitura.
Eu li no ônibus exclamando algumas partes - sim falando sozinha mesmo- pois são absurdos que a gente vê até hoje. Como:
Quando a corte real mudou para o Rio de Janeiro, criaram a ucharia real, que fazia as compras para a corte, como eram muitas pessoas a serem alimentadas (chupins desde aquela época), todas as galinhas produzidas na região deveriam ser vendidas para a ucharia. Pois não é que desviavam parte desses suprimentos e vendiam para a população por preço maior? Serviam como intermediários praticando o preço que quisessem! Malditos!
E a questão racial absurda que vivemos até hoje, 120 anos depois da abolição, tem suas origens naquela época, o escravo, mesmo depois de livre, não tinha direito à nada, sem sustento recorria à marginalidade. É o que dizem, dê um trabalho digno ao homem e os problemas, se não acabam, diminuem.
Fala sobre censura no Brasil, que o nosso povo era porco, mal vestido - para os padrões europeus, claro- e que como sempre foi uma colônia extrativista, quem vinha para cá, queria apenas explorar e não cuidar, talvez isso explique o fato do povo não respeitar a natureza, desperdiçar fontes naturais e poluir. O brasileiro se sente como de passagem, não se sente o dono da terra, porque quem é dono, cuida!
Eu passei a ver meu país um pouco diferente, esse livro me deu vontade de estudar mais sobre isso, seria um bom material de estudo nas escolas. Faltam ainda algumas páginas para eu terminar, então pode ser que eu fale mais sobre ele!
(ah, eu terminei A Sombra do Vento também, amei, vontade de conhecer Barcelona, mas o problema com os espanhois me dá preguiça.)
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Shopaholic Ties the Knot
Finalmente terminei o terceiro livro da série, a maluca da Becky Bloom se supera nas mentiras, fugir do Derek Smeath como no primeiro livro? Foi fichinha perto das armações que ela apronta no livro que trata do seu casamento!
O nome em português ficou As listas de casamento de Becky Bloom e estas não foram poucas, teve na Barneys, Tiffany´s, etc.
No final do segundo livro, Shopaholic Takes Manhattan, meu preferido até agora, Becky arranja um emprego a cara dela, personal shopper na Barneys, sua rotina consiste em ajudar mulheres extremamente ricas a comprar terninhos e vestidos de mil dólares! Perfeito, Becky é muito antenada e conhece marcas como ninguém! Luke vai atrás dela e agora eles moram juntos em West Village (prédios lindos e vizinhança foda, o que mais uma garota poderia querer?).
Então sua melhor amiga, Suze, que mora em Londres casa-se com Tarquin, e durante a cerimônia Luke tem a ideia de jerico de pedir Becky em casamento, faz apenas um ano que os dois moram juntos e a gente sabe que ela ainda não está pronta para tal passo, por mais que ela queira casar com o namorado.
Ela aceita e as confusões começam. Um fato que me irritou profundamente no livro foi a passividade dela.
Tudo bem que festas como casamento são mais para a família do que para os noivos, mas no livro isso ultrapassa a barreira do aceitável, tanto a mãe quanto a futura sogra marcam o casamento para o mesmo dia, um no Plaza em New York e o outro no jardim de casa.
Ela só é comunicada do fato e para não magoar os parentes vai aceitando, então enquanto recebe um fax da mãe dela sobre os guardanapos em Oxshott, discute sobre o vestido que usará no Plaza...
Só que ela se enrola cada vez mais, tem hora que eu tenho vontade de gritar: "Becky, este seu noivo é um idiota, como ele decide sem te consultar?" Só que o fato é, os dois fazem coisas sem contar um para o outro, ela gasta a grana dele na joint account e ele decide as coisas do casal sem consultá-la. Há momentos em que eles não parecem um casal, simplesmente duas pessoas decidindo os rumos do relacionamento sem conversar!
É até bom para refletirmos, o que é um relacionamento?
Mas as maluquices dela continuam, só que não tão fofinhas como nos dois primeiros livros, ela se safa por pouco, mentindo demais, a mentira prende, magoa e machuca. Eu adoro a Becky, mas ela poderia mentir menos, né? E pensar um pouco mais nas pessoas que a amam!
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